Blog do Negreiros
domingo, 24 de outubro de 2021
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Os seus valores e os meus valores
Atualmente segue muito em voga
falarmos e aplicarmos muito em nossas empresas os valores corporativos. Eles
são as atitudes e as crenças que garantem a ética e sob qual ótica os
colaboradores e a corporação deverão atuar, estes valores quase sempre estão
ancorados em qualidade de serviços, transparência, valorização de pessoas e
clientes, responsabilidade ambiental, sustentabilidade financeira e por aí vai.
A definição de valores em uma empresa, não apenas no papel, mas na prática,
garantem à empresa alcançar processos internos mais fortes e a sua
diferenciação junto ao mercado, mostrando aos clientes ser uma empresa que
preza por questões que são de suma importância para eles mesmos, ou seja, na
visão do cliente, aquela empresa pensa como eu, preza pelo que eu prezo,
acredita no que eu acredito ser importante, criando assim uma identidade
empresarial.
Muito bom tudo isso, as empresas
terem seus valores e seus clientes estarem em completo acordo com isso. Mas
empresas são formadas de pessoas e pessoas têm seus valores pessoais, valores
adquiridos não nesta ou naquela empresa, mas em suas famílias, em suas
histórias e em suas vidas e agora como fazer com que este ou aquele colaborador
sinta-se satisfeito trabalhando naquela empresa, com os valores dela?
A gestão de pessoas busca o equilíbrio
na satisfação pessoal de seus funcionários associada com a satisfação da
empresa com suas produções, acredita-se que quanto mais satisfeito está o
colaborador, mais e melhor ele irá produzir, ele irá servir aos clientes como
se fossem deles, ele irá acordar cedo e chegará motivado e isso se refletirá
nos demais colaboradores tornando aquela empresa o melhor e mais produtivo
lugar do mundo. Tudo isso é muito bacana de se ler e se falar, mas na vida real
é muito mais difícil do que se pensam afinal nós seres humanos, temos algo conhecido
como prioridades axiológicas, estas prioridades individuais e particulares são
determinantes para variáveis como satisfação no trabalho, rotatividade e estas
prioridades ditam em alguns momentos de nossas carreiras nossas escolhas e
caminhos a serem trilhados.
Vários trabalhos científicos
citam as prioridades axiológicas e a satisfação no trabalho, estudiosos na área
como Schwartz (Schwartz, 1996; Sagiv & Schwartz, 1995) falam a respeito e a correlação comportamental dos colaboradores
e suas empresas. Historicamente muitas vezes dispomos de nossos valores e
crenças em prol dos valores corporativos, isso se trata de um processo de
sobrevivência no mercado, historicamente um caso clássico dessa caraterística
está no físico, matemático e astrônomo Galileu Galilei (1564-1642), onde para
sua própria sobrevivência teve de negar suas descobertas e crenças onde na
época, acreditava-se que a Terra era o centro do Universo, porem Galilei sabia
que o Sol era o centro, pois a Terra girava ao redor dele. O astrônomo foi
condenado por um tribunal e teve de negar tudo, isto é desistir de seus valores
para não ser queimado como bruxo. Então incito o seu pensamento, caro leitor,
quantas vezes desistiu do que acredita e pensa em prol de não ser “queimado” em
sua empresa?
Então o que fazer como gestor
para conseguirmos casar os interesses da empresa com os interesses dos
colaboradores? A primeira coisa a ser observada é que cada pessoa tem seus
valores próprios, suas expectativas e motivações e elas podem ser:
Reconhecimento, Estabilidade, Salário, Necessidade de ter atividades variáveis,
Necessidade de pertencerem a um grupo, Necessidade de realizarem trabalhos
filantropos ou o Equilíbrio entre a Vida Pessoal e Profissional. Ao identificar
esses valores motivacionais, devemos cruzá-los com os valores da empresa e
aproveitar o que há de melhor em cada colaborador e saber que nem sempre
oferecer maior salário, mais atividades dinâmicas fará com que as pessoas sejam
mais produtivas e engajadas nas corporações. A segunda coisa é manter esse
trabalho de forma constante dentro das equipes, os valores pessoais mudam de
acordo com suas necessidades no momento então, revisitá-los semestralmente é a
garantia de manter uma equipe envolvida e tendo seus valores sempre
respeitados. A terceira coisa a ser observada é durante o processo seletivo
entender o que o candidato busca em sua vida, pois dependendo do que for a
empresa sequer poderá oferecer algo mais do que aquela vaga e aí teremos uma
demissão nos próximos seis meses. O segredo do jogo é manter os seus valores
alinhados com os meus.
Por Fabiano Negreiros
quarta-feira, 10 de junho de 2015
O mundo cor de rosa
Lendo
alguns artigos sobre coach e comportamento profissional é muito comum
encontrarmos a famosa questão: Mundo de verdade ou Mundo cor de rosa? Explico
melhor, não se trata de uma campanha contra o câncer de mama, mas do mercado de
trabalho para muitos jovens, muita gente nova no mercado inspira-se aos modelos
de empresas de TI ultramodernas como Google e Facebook, onde inicialmente o
principal combustível é ser muito criativo e ter grandes conhecimentos em computadores,
eu concordo que isso é muito importante e sei também que não é só isso, mas
gente é o que estão vendendo aos nossos jovens, frases inspiradoras que começam
desde cedo como “Você pode tudo”, “Se quiser de verdade, terá” ou a clássica “Você
é especial, acredite em seu potencial”, jovens engajados nesta causa, saem em
busca de seu primeiro emprego, acreditando no sonho de ser alguém especial
dentro da empresa que quiser, não quero ser pessimista e nem dizer que jovens
talentos não existam, mas esperem, tudo tem seu tempo e essa é outra palavra
importante, tempo, palavra essa que para os jovens cada vez é menor e então um
jovem especial precisa de pouco tempo para mostrar àquela empresa de que ele
pode tudo, se no momento da seleção o mundo real não for apresentado a este
jovem cheio de esperanças, poderemos acabar contratando ao invés de jovens
talentos, jovens problemas.
O
mundo real, ah este mundo também tem cores em alguns momentos e é preto e
branco noutros, costumo dizer que uma empresa é como uma pessoa nasce, é
criança, vira adolescente e finalmente cresce. E como uma pessoa, empresas
passam bons e maus momentos e é aí que começam os conflitos existenciais com os
jovens que pouco tempo têm e esperam muito das empresas, acabam as
responsabilizando por seu sucesso profissional, elas podem ser agentes
facilitadores para isso porem nunca serão o bastião do sucesso em suas vidas
profissionais, o que quero dizer é que o futuro profissional de todos depende
sempre de cada um, depende de seu esforço, depende de sua capacidade, depende
de suas atitudes e arrisco dizer que às vezes de sorte também. Muitas promessas
de recursos humanos cheios de otimismo, “promentem”, sim criei a palavra, o
mundo cor de rosa, planos de carreiras maravilhosos e a possibilidade de que se
eles se esforçarem serão quem sabe, um diretor ou até presidente da empresa em
questão de meses. O jovem profissional, com sua falta de experiência, a carga
de frases maravilhosas e com as promessas que o mundo é seu, começa a criar
esta expectativa desde o primeiro dia e aí se passam seis meses e percebem que
ainda estão em posições iniciais ou com evoluções pouco significativas, acabam
se frustrando e perdendo seu entusiasmo em continuar a crescer naquele lugar.
As
empresas comerciais vivem de resultados, resultados são produzidos por gente,
logo, para você crescer numa empresa no mundo real é necessário apresentar no
mínimo o resultado esperado, muitos jovens iludidos têm a falsa ideia de que
ele está ali para fazer o que ele gosta e do jeito que querem e esquecem o jogo
corporativo, se esquecem de que foram contratados para seguirem regras e os
tempos da empresa. Eu acho que muitos neste momento devem estar pensando: O que
esse carrasco está dizendo? Manda quem pode e obedece quem tem juízo? Calma,
não é bem assim, o que eu quero dizer é algo mais simples, acostumar-se com as
clássicas regras das empresas, sejam elas futuristas ou conservadoras, fará o
jovem se dedicar àquela corporação, produzir resultados no mínimo esperados e
com isso “voilà”, melhores oportunidades começam a surgir e começam a surgir
devagar, aquele plano de carreira que o amigo do amigo disse existir além do
horizonte, onde em seis meses você se torna dono da empresa, não existe, o que
existe é o crescimento passo a passo, degrau por degrau e aí olha só o mundo
começando a ficar colorido.
Fabiano Negreiros
Fabiano Negreiros
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Os profissionais Y. Eles estão aí.
Eu não sou psicólogo e nem pretendo ser um, sou apenas um jovem gestor muito observador e interessado pelo comportamento
humano.
São pessoas que controlam as máquinas, logo é importante conhecer quem as controlam. Assim, observando os profissionais de minha equipe e conhecendo-os melhor, fui pesquisar, para saber como lidar com esses profissionais, refiro-me aos profissionais da geração Y.
São pessoas que controlam as máquinas, logo é importante conhecer quem as controlam. Assim, observando os profissionais de minha equipe e conhecendo-os melhor, fui pesquisar, para saber como lidar com esses profissionais, refiro-me aos profissionais da geração Y.
A nova geração de profissionais começa a dominar o
mercado de trabalho mundial, no Brasil cerca de 38% da força de trabalho
pertence a geração Y, é muita gente, eles têm entre 20 e 30 anos e possuem
características comportamentais diferentes das gerações anteriores, a principal
delas é o imediatismo e a facilidade de serem multitarefa. Os gestores das
gerações “Baby Boomers” e X, terão de se reciclarem e prestarem atenção em suas
equipes, pois a geração Y não gosta de “puxar saco”, sorrisos falsos, falar
muito de suas vidas no ambiente corporativo (a não ser no Facebook e Twitter) e
principalmente se o ambiente corporativo não lhes agradar eles fazem como
aprenderam jogando videogame, “resetam o jogo” e partem para outro, sem medo e
sem mágoas. Uma analogia aos jogos eletrônicos, eles que possuem fases e cada
uma tem de ser vencida até o fim do jogo, onde este desafio, de ser questão de
honra passar pelas fases, faz com que eles sejam obstinados para vencerem os
desafios dos jogos que escolheram, isso acontece pelo alto interesse no que
estão fazendo, caso este interesse não exista, eles irão abandonar o jogo. No
ambiente corporativo a situação se repete, caso o que estão fazendo se torne
repetitivo demais, sem ações inovadoras e desafios, sem feedback constante,
tendo em vista que nos jogos existem gráficos informando seus status e suas
condições para manterem posicionados sobre suas condições, na vida corporativa
também querem saber se estão “perdendo vidas” ou “ganhando pontos” em suas
carreiras, caso estas condições não
existam, muito provavelmente um profissional Y irá perder muito de seu
rendimento, podendo vir a desistir de seu trabalho e partir em busca de outro
desafio.
Os mais conservadores podem perguntar: Estaríamos
então falando de profissionais mimados, onde querem que tudo seja do seu jeito
? Não e sim, não são pessoas mimadas, são pessoas exigentes que não
aceitam qualquer coisa de qualquer jeito e sim, eles querem as coisas da forma
correta, prática e em conformidades com o novo mundo em que vivemos, um mundo
ágil, direto e informativo.
Durante o processo seletivo, devemos manter todas
as cartas na mesa, sem entrelinhas ou frases subjetivas, informando
exatamente o que a empresa espera, quais as regras do negócio e as
perspectivas de evolução na carreira, não devemos criar falsas expectativas,
pois frustrá-lo certamente implicará em perder o profissional. Os
gestores precisam ser claros e detalhistas ao delegarem tarefas
aos Y, estes precisam de verdadeiros líderes inspiradores e locais
interessantes para se desenvolverem. Líderes e empresas que
conseguirem ganhar a confiança e o respeito deles terão a equipe dos sonhos,
posto que uma de suas características é aprenderem sozinhos suas tarefas, são
movidos por desafios e inovações, um bom líder que conseguir canalizar todas
essas forças a favor do negócio da empresa, irá perceber o grande ganho para a
equipe e para a instituição.
Fabiano Negreiros
Um Líder. O que todo chefe deveria ser
Atualmente o modelo antiquado de chefe está
entrando em extinção, aquele profissional de aspecto carrancudo, mal humorado,
de pouca conversa e que sabe apenas delegar tarefas (e quando sabe) e depois
cobra os resultados está ficando cada vez menos funcional para gerir a nova
geração que está entrando no mercado de trabalho. A geração Y é menos flexível à imposições baseadas em demonstrações de poder, ideias pouco estruturadas e
cobram muitas explicações e detalhes sobre suas atividades. Existe uma grande diferença entre chefe e líder, o chefe é aquele que na
hierarquia corporativa é o profissional na qual seus subordinados devem se
reportar e seguir seus ideias profissionais por imposição corporativa, já o
líder é seguido por cativar seus subordinados e estes concordam por afinidade
com seus ideais e irão seguir seus líderes por vontade própria e não por
imposição.
Um verdadeiro líder é conhecido desde sua infância, se destaca na sua turma, durante os anos escolares, universidade. No primeiro emprego, passa a ser percebido na empresa como um aspirante a
gestor, tem sucesso e seguidores, em outras palavras, nasceu para
fazer isso.
Já os chefes nem mesmo gostariam estar na posição que estão, por não se sentirem prontos ou até por motivos próprios, acabam se tornando chefes ultrapassados e inseguros, provavelmente respeitados pelo medo de sua posição e não pelo que eles são de verdade.
Já os chefes nem mesmo gostariam estar na posição que estão, por não se sentirem prontos ou até por motivos próprios, acabam se tornando chefes ultrapassados e inseguros, provavelmente respeitados pelo medo de sua posição e não pelo que eles são de verdade.
Então pensamos, um bom líder é aquele que é amigo de todos e cede às
pressões da equipe, querendo agradar a todos ? Não absolutamente, pelo
contrário, ele é rígido quando tem de ser e flexível nos momentos em que se
permite que ele seja assim, sempre alinhando sua equipe para manter foco no
negócio da empresa, foco no negócio da empresa e não em ego, estando sempre
próximo de seus liderados, sem medo de colocar a mão na massa quando for
preciso, sem perder sua imagem de modelo para a equipe e isso será aceito
naturalmente, transformando cada membro de sua equipe em seus auto gestores,
cada um irá monitorar o seu colega e todos sempre olharão seu líder como um
ídolo, onde todos gostarão de ser como ele.
Os efeitos danosos que um chefe que não sabe liderar sua equipe, pode
gerar:
Perda de grandes talentos: Profissionais talentosos não resistem muito
tempo em um ambiente de tirania, onde as ações são movidas pela vaidade e falta de
acertos de seu chefe.
Baixa produção: Num ambiente desestabilizado, a baixa produção irá
imperar, pessoas desmotivadas geram o ócio voluntário. Uma sábia frase
proferida pelo presidente americano Abrahan Lincoln dizia: Uma casa dividida
não pode ser mantida.
Falta de estímulo: Num ambiente dividido e desinteressante, gera a
falta de vontade de cada um dar o melhor de si e a assim o profissional deixará
de lutar por sua equipe e empresa.
Clima Tenso: Mesmo eu sendo da área de TI, sempre digo que pessoas são
pessoas e máquinas são máquinas, ao delegar ordens arbitrárias e infundadas o
líder está tratando seus liderados com total desrespeito e pessoas pensam e de
forma inconsciente começam a demonstrar que algo não vai bem e isso afeta
diretamente a saúde da empresa.
Já tive vários chefes e acho que apenas dois líderes ao longo de minha
carreira profissional, com meus chefes aprendi o que não se deve fazer. Ser chefe qualquer um pode ser, porém ser um líder nem todo mundo
nasceu com o dom, existem chefes que são péssimos lideres e existem líderes
que nem chefes ainda são. Então, o recado aos chefes que ainda se enquadram no modelo
antigo se reciclem na arte de gerir pessoas, abram suas mentes e estejam
preparados, esta nova geração não permite deslizes e será cada vez mais
exigente.
Fabiano Negreiros
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