quarta-feira, 17 de junho de 2015

Os seus valores e os meus valores

Atualmente segue muito em voga falarmos e aplicarmos muito em nossas empresas os valores corporativos. Eles são as atitudes e as crenças que garantem a ética e sob qual ótica os colaboradores e a corporação deverão atuar, estes valores quase sempre estão ancorados em qualidade de serviços, transparência, valorização de pessoas e clientes, responsabilidade ambiental, sustentabilidade financeira e por aí vai. A definição de valores em uma empresa, não apenas no papel, mas na prática, garantem à empresa alcançar processos internos mais fortes e a sua diferenciação junto ao mercado, mostrando aos clientes ser uma empresa que preza por questões que são de suma importância para eles mesmos, ou seja, na visão do cliente, aquela empresa pensa como eu, preza pelo que eu prezo, acredita no que eu acredito ser importante, criando assim uma identidade empresarial.

Muito bom tudo isso, as empresas terem seus valores e seus clientes estarem em completo acordo com isso. Mas empresas são formadas de pessoas e pessoas têm seus valores pessoais, valores adquiridos não nesta ou naquela empresa, mas em suas famílias, em suas histórias e em suas vidas e agora como fazer com que este ou aquele colaborador sinta-se satisfeito trabalhando naquela empresa, com os valores dela?

A gestão de pessoas busca o equilíbrio na satisfação pessoal de seus funcionários associada com a satisfação da empresa com suas produções, acredita-se que quanto mais satisfeito está o colaborador, mais e melhor ele irá produzir, ele irá servir aos clientes como se fossem deles, ele irá acordar cedo e chegará motivado e isso se refletirá nos demais colaboradores tornando aquela empresa o melhor e mais produtivo lugar do mundo. Tudo isso é muito bacana de se ler e se falar, mas na vida real é muito mais difícil do que se pensam afinal nós seres humanos, temos algo conhecido como prioridades axiológicas, estas prioridades individuais e particulares são determinantes para variáveis como satisfação no trabalho, rotatividade e estas prioridades ditam em alguns momentos de nossas carreiras nossas escolhas e caminhos a serem trilhados.

Vários trabalhos científicos citam as prioridades axiológicas e a satisfação no trabalho, estudiosos na área como Schwartz (Schwartz, 1996; Sagiv & Schwartz, 1995) falam a respeito e a correlação comportamental dos colaboradores e suas empresas. Historicamente muitas vezes dispomos de nossos valores e crenças em prol dos valores corporativos, isso se trata de um processo de sobrevivência no mercado, historicamente um caso clássico dessa caraterística está no físico, matemático e astrônomo Galileu Galilei (1564-1642), onde para sua própria sobrevivência teve de negar suas descobertas e crenças onde na época, acreditava-se que a Terra era o centro do Universo, porem Galilei sabia que o Sol era o centro, pois a Terra girava ao redor dele. O astrônomo foi condenado por um tribunal e teve de negar tudo, isto é desistir de seus valores para não ser queimado como bruxo. Então incito o seu pensamento, caro leitor, quantas vezes desistiu do que acredita e pensa em prol de não ser “queimado” em sua empresa?


Então o que fazer como gestor para conseguirmos casar os interesses da empresa com os interesses dos colaboradores? A primeira coisa a ser observada é que cada pessoa tem seus valores próprios, suas expectativas e motivações e elas podem ser: Reconhecimento, Estabilidade, Salário, Necessidade de ter atividades variáveis, Necessidade de pertencerem a um grupo, Necessidade de realizarem trabalhos filantropos ou o Equilíbrio entre a Vida Pessoal e Profissional. Ao identificar esses valores motivacionais, devemos cruzá-los com os valores da empresa e aproveitar o que há de melhor em cada colaborador e saber que nem sempre oferecer maior salário, mais atividades dinâmicas fará com que as pessoas sejam mais produtivas e engajadas nas corporações. A segunda coisa é manter esse trabalho de forma constante dentro das equipes, os valores pessoais mudam de acordo com suas necessidades no momento então, revisitá-los semestralmente é a garantia de manter uma equipe envolvida e tendo seus valores sempre respeitados. A terceira coisa a ser observada é durante o processo seletivo entender o que o candidato busca em sua vida, pois dependendo do que for a empresa sequer poderá oferecer algo mais do que aquela vaga e aí teremos uma demissão nos próximos seis meses. O segredo do jogo é manter os seus valores alinhados com os meus.


Por Fabiano Negreiros

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