Atualmente segue muito em voga
falarmos e aplicarmos muito em nossas empresas os valores corporativos. Eles
são as atitudes e as crenças que garantem a ética e sob qual ótica os
colaboradores e a corporação deverão atuar, estes valores quase sempre estão
ancorados em qualidade de serviços, transparência, valorização de pessoas e
clientes, responsabilidade ambiental, sustentabilidade financeira e por aí vai.
A definição de valores em uma empresa, não apenas no papel, mas na prática,
garantem à empresa alcançar processos internos mais fortes e a sua
diferenciação junto ao mercado, mostrando aos clientes ser uma empresa que
preza por questões que são de suma importância para eles mesmos, ou seja, na
visão do cliente, aquela empresa pensa como eu, preza pelo que eu prezo,
acredita no que eu acredito ser importante, criando assim uma identidade
empresarial.
Muito bom tudo isso, as empresas
terem seus valores e seus clientes estarem em completo acordo com isso. Mas
empresas são formadas de pessoas e pessoas têm seus valores pessoais, valores
adquiridos não nesta ou naquela empresa, mas em suas famílias, em suas
histórias e em suas vidas e agora como fazer com que este ou aquele colaborador
sinta-se satisfeito trabalhando naquela empresa, com os valores dela?
A gestão de pessoas busca o equilíbrio
na satisfação pessoal de seus funcionários associada com a satisfação da
empresa com suas produções, acredita-se que quanto mais satisfeito está o
colaborador, mais e melhor ele irá produzir, ele irá servir aos clientes como
se fossem deles, ele irá acordar cedo e chegará motivado e isso se refletirá
nos demais colaboradores tornando aquela empresa o melhor e mais produtivo
lugar do mundo. Tudo isso é muito bacana de se ler e se falar, mas na vida real
é muito mais difícil do que se pensam afinal nós seres humanos, temos algo conhecido
como prioridades axiológicas, estas prioridades individuais e particulares são
determinantes para variáveis como satisfação no trabalho, rotatividade e estas
prioridades ditam em alguns momentos de nossas carreiras nossas escolhas e
caminhos a serem trilhados.
Vários trabalhos científicos
citam as prioridades axiológicas e a satisfação no trabalho, estudiosos na área
como Schwartz (Schwartz, 1996; Sagiv & Schwartz, 1995) falam a respeito e a correlação comportamental dos colaboradores
e suas empresas. Historicamente muitas vezes dispomos de nossos valores e
crenças em prol dos valores corporativos, isso se trata de um processo de
sobrevivência no mercado, historicamente um caso clássico dessa caraterística
está no físico, matemático e astrônomo Galileu Galilei (1564-1642), onde para
sua própria sobrevivência teve de negar suas descobertas e crenças onde na
época, acreditava-se que a Terra era o centro do Universo, porem Galilei sabia
que o Sol era o centro, pois a Terra girava ao redor dele. O astrônomo foi
condenado por um tribunal e teve de negar tudo, isto é desistir de seus valores
para não ser queimado como bruxo. Então incito o seu pensamento, caro leitor,
quantas vezes desistiu do que acredita e pensa em prol de não ser “queimado” em
sua empresa?
Então o que fazer como gestor
para conseguirmos casar os interesses da empresa com os interesses dos
colaboradores? A primeira coisa a ser observada é que cada pessoa tem seus
valores próprios, suas expectativas e motivações e elas podem ser:
Reconhecimento, Estabilidade, Salário, Necessidade de ter atividades variáveis,
Necessidade de pertencerem a um grupo, Necessidade de realizarem trabalhos
filantropos ou o Equilíbrio entre a Vida Pessoal e Profissional. Ao identificar
esses valores motivacionais, devemos cruzá-los com os valores da empresa e
aproveitar o que há de melhor em cada colaborador e saber que nem sempre
oferecer maior salário, mais atividades dinâmicas fará com que as pessoas sejam
mais produtivas e engajadas nas corporações. A segunda coisa é manter esse
trabalho de forma constante dentro das equipes, os valores pessoais mudam de
acordo com suas necessidades no momento então, revisitá-los semestralmente é a
garantia de manter uma equipe envolvida e tendo seus valores sempre
respeitados. A terceira coisa a ser observada é durante o processo seletivo
entender o que o candidato busca em sua vida, pois dependendo do que for a
empresa sequer poderá oferecer algo mais do que aquela vaga e aí teremos uma
demissão nos próximos seis meses. O segredo do jogo é manter os seus valores
alinhados com os meus.
Por Fabiano Negreiros